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Trabalho noturno aumenta o risco de diabetes.

20/12/2011 -

Pesquisadores
da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, afirmam
que o trabalho noturno pode ser um fator de risco para desenvolver diabetes tipo
2. O estudo, liderado pelo professor de nutrição e epidemiologia Frank Hu, foi
feito com 177 mil mulheres americanas.
 
Elas foram divididas em dois
grupos: um de voluntárias que trabalhavam à noite e outro que trabalhava durante
o dia. As mulheres que cumpriam jornadas noturnas tinham risco 5% maior de
desenvolver diabetes, segundo a pesquisa.
 
Entre as que trabalham nesse
período há décadas, o risco aumentou 60% em relação às funcionárias que cumpriam
jornadas diurnas. O estudo foi publicado na revista científica PLoS
Medicine.
 
No Brasil, 15 milhões de pessoas trabalham no período noturno,
segundo estimativa do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo,
baseada em dados do Ministério do Trabalho. Médicos e cientistas já haviam
alertado em estudos anteriores sobre o maior risco para doenças cardíacas,
depressão e obesidade em pessoas que trabalham à noite ou em turnos
irregulares.
 
O diabetes é causado por uma deficiência do organismo, que
não consegue produzir insulina, o hormônio que regula o nível de açúcar no
sangue. O tipo 2 se desenvolve na vida adulta, principalmente em decorrência da
má alimentação e do excesso de peso. Nesse caso, a pessoa que faz um
planejamento alimentar e exercícios físicos pode não precisar do uso de insulina
ou outras medicações. A diabetes é uma doença grave, que pode causar cegueira e
até a morte.
 
Segundo o estudo, o risco de desenvolver diabetes é maior
se a pessoa não dorme quando sente necessidade, se não dorme tempo suficiente e,
principalmente, se mantêm horários irregulares nos trabalhos noturnos (dias
alternados, por exemplo). Esses fatores podem prejudicar o metabolismo e alterar
com a capacidade do organismo de usar a insulina e processar açúcar no sangue.
Além disso, as calorias ingeridas à noite são mais difíceis de serem digeridas e
são armazenadas no corpo em forma de gordura. O aumento de peso é um dos fatores
de risco do diabetes tipo 2.
 
A auxiliar de limpeza Zilá dos Santos, de
51 anos, descobriu que tem diabetes há cinco anos. Ela trabalha à noite desde
1997. Não há provas de que a doença tenha associação direta com o turno de Zilá,
mas ela relata levar uma rotina desregrada, sem horários certos para comer e
dormir - um dos fatores de risco considerados pelos pesquisadores no estudo
americano. "Trabalho dias alternados. É muito complicado manter um horário fixo
para se alimentar ou dormir", afirma Zilá.

Fonte: Revista Proteção / Revista Época, 15.12.2011

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